O júri do Prémio LeYa, reunido ontem e hoje em Alfragide, deliberou por unanimidade distinguir a obra O Meu Irmão, de Afonso Reis Cabral.
O livro premiado trata de um tema delicado, que poderia suscitar uma visão sentimental e vulgar: a relação entre dois irmãos, um deles com síndrome de Down. A realidade é trabalhada de uma forma objectiva e com a violência que estas situações humanas, podem desenvolver, dando também um retrato social que evita tomadas de decisão fáceis, obrigando a um investimento numa leitura que nos confronta com a dificuldade de um mundo impiedoso. Há no entanto uma tonalidade lírica na relação que se estabelece entre dois deficientes e que salva, através de apontamentos de poesia e de humor, o desconforto de quem vive este problema.
Sobre o autor
Afonso Reis Cabral nasceu em Lisboa em 1990 e cresceu no Porto onde estudou, no Colégio dos Cedros até ao 9º ano e na Escola Secundária Rodrigues de Freitas. Em 2005 publicou o livro de poemas “Condensação” onde reúne poemas escritos entre os 10 e os 15 anos. Afonso escreve desde os 9 anos, começou na poesia e depois experimentou a prosa. Em 2008 ficou em 8º lugar no “7th European Student Competition in Ancient Greek Language and Literature” entre 3532 concorrentes de 551 escolas europeias e mexicanas. Foi o único português a concorrer.
É licenciado em Estudos Portugueses e Lusófonos, pela Universidade Nova de Lisboa, instituição de onde tem, também um mestrado em Estudos Portugueses. Trabalhou como revisor em diversas editoras e sempre se imaginou a trabalhar na área cultural. Atualmente trabalha numa editora.
Afonso é trineto de Eça de Queiroz.
Sobre o júri
O júri do Prémio LeYa 2014 foi constituído por Manuel Alegre (presidente), Nuno Júdice, Pepetela e José Castello, e ainda José Carlos Seabra Pereira, Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Lourenço do Rosário, Reitor do Instituto Superior Politécnico e Universitário de Maputo, e Rita Chaves, Professora da Universidade de São Paulo.
Fonte: Leya
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sábado, 18 de outubro de 2014
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Man Booker Prize - Richard Flanagan
O australiano Richard Flanagan venceu o Man Booker Prize, com o romance The Narrow Road to the Deep North, inspirado pela experiência do pai como prisioneiro de guerra durante a Segunda Guerra Mundial.
Flanagan, de 53 anos, é o terceiro australiano a vencer este prémio que vale 50 mil libras (63 mil euros), depois de Thomas Kenneally (Schindler’s Ark, 1982) e Peter Carey (Oscar e Lucinda, 1988, e A verdadeira história do bando de Ned Kelly, 2001, ambos editados em Portugal pela Dom Quixote).
O livro conta a história de um cirurgião preso num campo de trabalho entre a Tailândia e a Birmânia, conhecido como “o caminho-de-ferro da morte”.
"Os dois grandes temas desde a origem da literatura são o amor e a guerra: este é um romance magnífico de amor e guerra", disse o académico Anthony Grayling, presidente do júri, sublinhando que "este é o livro que Richard Flanagan nasceu para escrever".
Autor de O Livro dos Peixes de Gould: uma história de doze peixes, (2001, editado pela Dom Quixote em Portugal em 2006), Death of a River Guide (1994), The Sound of One and Clapping (1997), The Unknown Terrorist (2006) e de Wanting (2008), Flanagan declarou que a ideia do chamado "caminho-de-ferro da morte" influenciou a sua vida.
"Em criança, o meu pai ensinou-me as palavras japonesas 'san byaku san ju go'. Era o seu número, 335, pelo qual respondia como trabalhador escravo dos japoneses na ferrovia da morte", lembrou Flanagan. No início do discurso, o escritor sublinhou que não vinha de uma tradição literária: "Venho de uma pequena cidade mineira na floresta tropical numa ilha no final do mundo. Os meus avós eram iletrados. Eu nunca esperei estar aqui em Londres à vossa frente como escritor e ser tão honrado."
Richard Flanagan estudou literatura na Universidade de Oxford, onde entrou com uma bolsa de estudos depois de ter abandonado a escola aos 16 anos. Antes de passar à ficção, escreveu livros de história. Disse que não partilhava o pessimismo actual em relação ao romance: "É uma das invenções intelectuais, estéticas e espirituais. Como espécie é a história que nos distingue, e uma das expressões supremas da história é o romance. Romances não são conteúdo. Nem são o espelho da vida ou uma explicação da vida ou um guia para a vida. Romances são a vida ou não são nada."
O romance que lhe valeu o Man Booker Prize demorou 12 anos a escrever. O pai morreu no dia em que terminou o livro.
O Man Booker Prize é um dos prémios literários mais prestigiados do mundo. Criado em 1969, é habitualmente significado de uma subida nas vendas.
O prémio é entregue ao que for considerado o melhor romance original em língua inglesa. Segundo a BBC, este foi o primeiro ano em que o Man Booker foi aberto a todos os autores de língua inglesa, independentemente da nacionalidade.
Segundo a editora de literatura do Guardian, Justine Jordan, apesar de a escolha de Richard Flanagan poder ser vista como conservadora, é uma aproximação nova a um assunto terrível: por isso, é ao mesmo tempo uma difícil vitória e "uma escolha sólida do júri".
Fonte: Jornal Público
Flanagan, de 53 anos, é o terceiro australiano a vencer este prémio que vale 50 mil libras (63 mil euros), depois de Thomas Kenneally (Schindler’s Ark, 1982) e Peter Carey (Oscar e Lucinda, 1988, e A verdadeira história do bando de Ned Kelly, 2001, ambos editados em Portugal pela Dom Quixote).
O livro conta a história de um cirurgião preso num campo de trabalho entre a Tailândia e a Birmânia, conhecido como “o caminho-de-ferro da morte”.
"Os dois grandes temas desde a origem da literatura são o amor e a guerra: este é um romance magnífico de amor e guerra", disse o académico Anthony Grayling, presidente do júri, sublinhando que "este é o livro que Richard Flanagan nasceu para escrever".
Autor de O Livro dos Peixes de Gould: uma história de doze peixes, (2001, editado pela Dom Quixote em Portugal em 2006), Death of a River Guide (1994), The Sound of One and Clapping (1997), The Unknown Terrorist (2006) e de Wanting (2008), Flanagan declarou que a ideia do chamado "caminho-de-ferro da morte" influenciou a sua vida.
"Em criança, o meu pai ensinou-me as palavras japonesas 'san byaku san ju go'. Era o seu número, 335, pelo qual respondia como trabalhador escravo dos japoneses na ferrovia da morte", lembrou Flanagan. No início do discurso, o escritor sublinhou que não vinha de uma tradição literária: "Venho de uma pequena cidade mineira na floresta tropical numa ilha no final do mundo. Os meus avós eram iletrados. Eu nunca esperei estar aqui em Londres à vossa frente como escritor e ser tão honrado."Richard Flanagan estudou literatura na Universidade de Oxford, onde entrou com uma bolsa de estudos depois de ter abandonado a escola aos 16 anos. Antes de passar à ficção, escreveu livros de história. Disse que não partilhava o pessimismo actual em relação ao romance: "É uma das invenções intelectuais, estéticas e espirituais. Como espécie é a história que nos distingue, e uma das expressões supremas da história é o romance. Romances não são conteúdo. Nem são o espelho da vida ou uma explicação da vida ou um guia para a vida. Romances são a vida ou não são nada."
O romance que lhe valeu o Man Booker Prize demorou 12 anos a escrever. O pai morreu no dia em que terminou o livro.
O Man Booker Prize é um dos prémios literários mais prestigiados do mundo. Criado em 1969, é habitualmente significado de uma subida nas vendas.
O prémio é entregue ao que for considerado o melhor romance original em língua inglesa. Segundo a BBC, este foi o primeiro ano em que o Man Booker foi aberto a todos os autores de língua inglesa, independentemente da nacionalidade.
Segundo a editora de literatura do Guardian, Justine Jordan, apesar de a escolha de Richard Flanagan poder ser vista como conservadora, é uma aproximação nova a um assunto terrível: por isso, é ao mesmo tempo uma difícil vitória e "uma escolha sólida do júri".
Fonte: Jornal Público
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Prémio Nobel da Literatura - Patrick Modiano
A Academia Sueca atribuiu nesta quinta-feira o Prémio Nobel da Literatura ao escritor francês Patrick Modiano, destacando o modo como a sua “arte da memória evoca os mais inefáveis destinos humanos e desvela o mundo da ocupação”. Isto é, da ocupação alemã da França durante a Segunda Guerra, um tópico recorrente na obra de Modiano, filho de uma actriz flamenga e de um judeu de origem italiana.
Em entrevista para o site da Academia Sueca – a primeira desde que soube da distinção –, Modiano contou que estava na rua quando soube da novidade, mostrando-se surpreendido por ter sido o escolhido deste ano. “Nunca pensei que isto me pudesse acontecer, estou muito tocado, cheio de emoções”, reagiu o autor para quem escrever é algo natural que começou muito novo a fazer.
“É algo que faz parte da minha vida desde o início”, continuou ainda. Quando questionado sobre o livro da sua obra que sugeriria àqueles que ainda não o conhecem, Modiano disse não ser capaz de escolher por ter “a sensação de estar sempre a escrever o mesmo livro”. “De forma descontinuada”, explicou. “É como se eu parasse para fazer um intervalo e então depois continuasse com a próxima etapa do mesmo livro.”
Ideia que defendeu entretanto na conferência de imprensa que deu na sua editora em Paris. “O que eu quero saber são as razões pelas quais me escolheram", disse Modiano, repetindo: "Tenho a impressão de que escrevo o mesmo livro há 45 anos". Para o francês, receber o Prémio Nobel da Literatura "é irreal" por todas as memórias de infância que guarda. Lembra-se, por exemplo, de quando Albert Camus foi premiado, "devia ter uns 12 anos". "Parece-me irreal ser agora confrontado com as pessoas que sempre admirei", acrescentou.
Esta é uma escolha inesperada, já que Modiano não integrava sequer o “top ten” dos autores que as casas de apostas davam como sendo os candidatos mais prováveis ao prémio deste ano. Até ontem, os favoritos eram o queniano Ngugi wa Thiong'o, o japonês Haruki Murakami e a bielorrussa Svetlana Aleksijevitj. Mas também é verdade que a Academia Sueca surpreende tantas vezes que uma escolha verdadeiramente inesperada teria sido atribuir o prémio a um Murakami ou a um Philip Roth.
Fonte: Jornal Público
Em entrevista para o site da Academia Sueca – a primeira desde que soube da distinção –, Modiano contou que estava na rua quando soube da novidade, mostrando-se surpreendido por ter sido o escolhido deste ano. “Nunca pensei que isto me pudesse acontecer, estou muito tocado, cheio de emoções”, reagiu o autor para quem escrever é algo natural que começou muito novo a fazer.
“É algo que faz parte da minha vida desde o início”, continuou ainda. Quando questionado sobre o livro da sua obra que sugeriria àqueles que ainda não o conhecem, Modiano disse não ser capaz de escolher por ter “a sensação de estar sempre a escrever o mesmo livro”. “De forma descontinuada”, explicou. “É como se eu parasse para fazer um intervalo e então depois continuasse com a próxima etapa do mesmo livro.”
Ideia que defendeu entretanto na conferência de imprensa que deu na sua editora em Paris. “O que eu quero saber são as razões pelas quais me escolheram", disse Modiano, repetindo: "Tenho a impressão de que escrevo o mesmo livro há 45 anos". Para o francês, receber o Prémio Nobel da Literatura "é irreal" por todas as memórias de infância que guarda. Lembra-se, por exemplo, de quando Albert Camus foi premiado, "devia ter uns 12 anos". "Parece-me irreal ser agora confrontado com as pessoas que sempre admirei", acrescentou.
Esta é uma escolha inesperada, já que Modiano não integrava sequer o “top ten” dos autores que as casas de apostas davam como sendo os candidatos mais prováveis ao prémio deste ano. Até ontem, os favoritos eram o queniano Ngugi wa Thiong'o, o japonês Haruki Murakami e a bielorrussa Svetlana Aleksijevitj. Mas também é verdade que a Academia Sueca surpreende tantas vezes que uma escolha verdadeiramente inesperada teria sido atribuir o prémio a um Murakami ou a um Philip Roth.
Fonte: Jornal Público
Prémios - A Tragédia de Fidel Castro de João Cerqueira
Há imenso tempo que não divulgava prémios literários aqui no blogue, não por falta de vontade mas por falta de tempo para me manter atualizada.
Foi como tal com muita satisfação que recebi no meu mail uma informação do escritor João Cerqueira acerca dos vários prémios que o seu livro A Tragédia de Fidel Castro recebeu.
Este romance, publicado em Portugal pela Saída de Emergência e nos Estados Unidos pela River Grove Books, venceu o USA Best Book Awards 2013, o Beverly Hills Book Awards 2014, o Global Ebook Awards 2014, foi considerado pela revista ForewordReviews a terceira melhor tradução publicada em 2012 nos EUA, e foi ainda finalista do Montaigne Medal 2014 (Eric Hoffer Awards). Excelente....
Para vos aguçar um pouco a curiosidade deixo-vos a sinopse:
Há quase 50 anos, Fidel Castro espantou o mundo com a sua revolução. Mas será que El Comandante
perdeu o rumo? Ter-se-á transformado no pior inimigo do seu povo?A Tragédia de Fidel Castro é um livro simultaneamente divertido e exigente, conduzindo-nos à mente de um dos mais enigmáticos e polémicos líderes do mundo actual. A sátira e o humor inteligente - ora discreto ora descarado - prendem-nos e despertam a reflexão. A narrativa foge a quaisquer regras, propondo-se revelar a intrincada mente de Fidel como nenhum outro livro o fez.Qualquer um ficará surpreendido com os personagens que irá encontrar: Cristo, Afonso Henriques, o Grande Inquisidor, Fátima, Deus e o Diabo... , figuras simbólicas desta tragédia fantástica onde apenas Fidel Castro é real.Entre as sátiras de Gil Vicente, Ramalho Ortigão e Fialho d´Almeida e a fantasia de Ruben A. Leitão, A Tragédia de Fidel Castro abre uma página nova na literatura portuguesa, na qual se descobre o nosso próprio país.Aviso: não aconselhável a leitores com susceptibilidade política ou religiosa.Livro do Mês na revista "Os Meus Livros"
Foi como tal com muita satisfação que recebi no meu mail uma informação do escritor João Cerqueira acerca dos vários prémios que o seu livro A Tragédia de Fidel Castro recebeu.
Este romance, publicado em Portugal pela Saída de Emergência e nos Estados Unidos pela River Grove Books, venceu o USA Best Book Awards 2013, o Beverly Hills Book Awards 2014, o Global Ebook Awards 2014, foi considerado pela revista ForewordReviews a terceira melhor tradução publicada em 2012 nos EUA, e foi ainda finalista do Montaigne Medal 2014 (Eric Hoffer Awards). Excelente....
Para vos aguçar um pouco a curiosidade deixo-vos a sinopse:
Há quase 50 anos, Fidel Castro espantou o mundo com a sua revolução. Mas será que El Comandante
perdeu o rumo? Ter-se-á transformado no pior inimigo do seu povo?A Tragédia de Fidel Castro é um livro simultaneamente divertido e exigente, conduzindo-nos à mente de um dos mais enigmáticos e polémicos líderes do mundo actual. A sátira e o humor inteligente - ora discreto ora descarado - prendem-nos e despertam a reflexão. A narrativa foge a quaisquer regras, propondo-se revelar a intrincada mente de Fidel como nenhum outro livro o fez.Qualquer um ficará surpreendido com os personagens que irá encontrar: Cristo, Afonso Henriques, o Grande Inquisidor, Fátima, Deus e o Diabo... , figuras simbólicas desta tragédia fantástica onde apenas Fidel Castro é real.Entre as sátiras de Gil Vicente, Ramalho Ortigão e Fialho d´Almeida e a fantasia de Ruben A. Leitão, A Tragédia de Fidel Castro abre uma página nova na literatura portuguesa, na qual se descobre o nosso próprio país.Aviso: não aconselhável a leitores com susceptibilidade política ou religiosa.Livro do Mês na revista "Os Meus Livros" quinta-feira, 20 de março de 2014
Costa Book of the Year - Nathan Filer
O Prémio Costa foi para um romance de estreia "surpreendente".
Nathan Filer partiu da sua experiência como enfermeiro para escrever a história de um jovem que assiste à morte do irmão. Chama-se The Shock of the Fall e, diz a britânica BBC, é uma história sobre culpa, perda e doença mental. Com ele Nathan Filer, que já se dedicava à poesia e até à escrita para cinema (é dele o guião para a curta de comédia premiada Oedipus), estreia-se no romance e acaba de ganhar o Prémio Costa de Melhor Livro do Ano.
O livro segue de perto Matthew Holmes, um jovem de 19 anos que assiste à morte do irmão e, naturalmente, fica afectado por essa memória. “Não é só [um livro] sobre esquizofrenia – é sobre a dor”, disse, citada pela BBC, a presidente do júri, Rose Tremain, para quem The Shock of the Fall é “surpreendentemente sólido para um primeiro romance”.
Filer, 32 anos, é hoje professor de escrita criativa na Universidade de Bath e trabalhou durante muitos anos como enfermeiro especializado no tratamento de doentes com problemas psiquiátricos.
Na cerimónia de terça-feira à noite, em Londres, o escritor mostrou-se completamente surpreso por ter sido o escolhido. Filer não preparou qualquer discurso porque, confessou, tinha olhado para as apostas e todos apontavam Kate Atkinson como a favorita pelo seu Life After Life. Na corrida estavam também Lucy Hughes-Hallet por The Pike, que conta a história do poeta italiano Gabriele D’Annunzio; o poeta Michael Symmons Roberts pela sua sexta colectânea, Drysalter; e o autor de livros infantis Chris Riddell com Goth Girl And The Ghost Of A Mouse.
Apesar de a discussão entre os jurados não ter sido intensa na fase final, Rose Tremain admitiu que a decisão não tinha sido unânime, embora o livro de Filer acabasse por se destacar no meio de “uma lista muito boa”. “Este livro é excepcionalmente comovente sem ser sentimental”, acrescentou a presidente do júri. “Esperamos que haja mais [romances] deste escritor.” Para Tremain, o facto de Nathan Filer ter ido buscar à sua experiência profissional como enfermeiro os ingredientes para criar esta história “tão maravilhosamente contada” é uma “fantástica conquista”.
O Costa para Melhor Livro do Ano – antes conhecido como Whitbread – foi criado em 1985 e destina-se a premiar autores que vivam no Reino Unido e na Irlanda. Os cinco que chegam à shortlist a cada ano recebem seis mil euros e o vencedor mais 36 mil. Em 29 anos já foi concedido 11 vezes a romances, cinco dos quais de estreia.
No ano passado – o primeiro em que o prémio de Melhor Livro do Ano passou a responder pelo nome Costa – a escolhida foi Hilary Mantel, que acabou por ganhar também o Man Booker.
Na cerimónia de terça-feira, ficou a conhecer-se também o vencedor da Melhor Short Story – a escritora e poeta Angela Readman foi a escolhida com The Keeper of the Jackalopes e por ele recebeu 4200 euros.
Fonte: Público
domingo, 16 de março de 2014
Book Critics Circle Award - Chimamanda Ngozi Adichie
A autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, ganhou o Book Critics Circle Award para a categoria de ficção com o seu livro “Americanah”. O livro conta a história da luta de uma jovem mulher, que se muda de Lagos para Nova Iorque e foi editado em Portugal pela Dom Quixote em 2013.
A autora ganhou vários prémios pelos seus livros anteriores. Ganhou o Prémio Commonwealth Writers para o seu primeiro romance, “A Cor do Hibisco”, bem como o Prémio Orange Broadband Prize e o Anisfield-Wolf Book Award pelo romance “Meio Sol Amarelo”.
A Book Critics Circle é uma associação norte-americana de editores e críticos profissionais. Este prémio é atribuído anualmente e visa promover os melhores livros e criticas publicados em inglês (incluindo traduções).
Os prémios para as restantes categorias foram atribuídos a:
Poesia - Frank Bidart, “Metaphysical Dog”
Critica - Franco Moretti, “Distant Reading”
Autobiografia - Amy Wilentz, “Farewell, Fred Voodoo: A Letter From Haiti”
Biografia - Leo Damrosch, “Jonathan Swift: His Life and His World”
Não Ficção - Sheri Fink, “Five Days at Memorial: Life and Death in a Storm-Ravaged Hospital”
A autora ganhou vários prémios pelos seus livros anteriores. Ganhou o Prémio Commonwealth Writers para o seu primeiro romance, “A Cor do Hibisco”, bem como o Prémio Orange Broadband Prize e o Anisfield-Wolf Book Award pelo romance “Meio Sol Amarelo”.
A Book Critics Circle é uma associação norte-americana de editores e críticos profissionais. Este prémio é atribuído anualmente e visa promover os melhores livros e criticas publicados em inglês (incluindo traduções).
Os prémios para as restantes categorias foram atribuídos a:
Poesia - Frank Bidart, “Metaphysical Dog”
Critica - Franco Moretti, “Distant Reading”
Autobiografia - Amy Wilentz, “Farewell, Fred Voodoo: A Letter From Haiti”
Biografia - Leo Damrosch, “Jonathan Swift: His Life and His World”
Não Ficção - Sheri Fink, “Five Days at Memorial: Life and Death in a Storm-Ravaged Hospital”
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Costa Book Award - Kate Atkinson
A escritora britânica Kate Atkinson venceu o prémio literário Costa Book Award, na categoria Romance com o o livro "Life After Life".
Segundo o júri, o livro é «espantoso – tem tudo o que se pode querer de uma obra de ficção e muito mais».
Na sinopse do livro podemos ler: "Durante uma tempestade de neve em Inglaterra, em 1910, um bebé nasce e morre antes que possa respirar pela primeira vez. Durante uma tempestade de neve em Inglaterra, em 1910, o mesmo bebé nasce e vive para contar a história. E se houvessem segundas oportunidades? E terceiras oportunidades? Na verdade, um número infinito de oportunidades de viveres a tua vida? Serias eventualmente capaz de salvar o mundo do seu destino inevitável? E quererias fazê-lo?"

Kate Atkinson nasceu em York e agora vive em Edimburgo. O seu primeiro romance, "Behind the Scenes at the Museum" (Retratos de Família, Planeta Editora, 1998), ganhou o Whitbread (agora Costa) Book of the Year Award em 1995, e a autora tem sido aclamada pela crítica internacional desde então.
O livro "Life After Life" ainda não se encontra editado em Portugal, mas será brevemente publicado pela Relógio D’Água, com tradução de José Miguel Silva.
Os restantes vencedores do prémio foram Nathan Filer na categoria Primeiro Romance, Lucy Hughes-Hallett na categoria Biografia, Michael Symmons Roberts na categoria Poesia e Chris Riddell na categoria Infantil.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
National Book Award - James McBride
A atribuição do National Book Award ao romance The Good Lord Bird, de James McBride, surpreendeu todos, incluindo o autor, que confessou que lhe parecia tão improvável ganhar que não se dera ao trabalho de alinhavar um discurso.
A cerimónia de entrega deste prémio promovido pelos livreiros americanos decorreu esta quarta-feira em Nova Iorque, e quando McBride foi chamado ao palco, explicou que escrevera o livro no meio de uma série de tragédias pessoais, das mortes da sua mãe e de uma sobrinha ao fim do seu casamento.
O autor acrescentou que escrever o romance o ajudara, porque “era bom ter ali alguém em cujo mundo pudesse mergulhar”. Narrado por um escravo em fuga, The Good Lord Bird conta a história de John Brown, um americano branco que se tornou um pioneiro da luta contra a escravatura na primeira metade do século XIX.
Filho de um reverendo negro e de uma judia convertida ao cristianismo, McBride, que é também saxofonista e compositor, tornou-se conhecido como escritor em 1996, quando publicou The Color of Water, um relato da sua infância e adolescência.
Entre os quatro finalistas que perderam para McBride contava-se Thomas Pynchon, com Bleeding Edge. Célebre pela sua relutância em aparecer publicamente, Pynchon não compareceu à sessão, que, como habitualmente, decorreu num restaurante nova-iorquino escolhido pelo júri.
Os outros candidatos – Rachel Kushner, Jhumpa Lahiri e George Saunders –, não sendo tão famosos como Pynchon, tinham todos visto os seus livros receber boas críticas de imprensa.
Na categoria de não-ficção, o National Book Award foi para The Unwinding: An Inner History of the New Americ, de George Packer, uma obra que, segundo o júri, relata “o declínio económico que atravessa grandes cidades e pequenas povoações, lançando um olhar incisivo aos bancos e a Wall Street”.
Nas restantes categorias – poesia e literatura para crianças – os vencedores foram, respectivamente, Incarnadine, de Mary Szybist, e The Thing About Luck, de Cynthia Kadohata.
Os vencedores receberam todos 10 mil dólares (cerca de 7400 euros) e uma estatueta de bronze.
A noite terminou com a entrega de dois prémios de carreira. O Literarian Award for Outstanding Service to the American Literary Community foi atribuído à escritora Maya Angelou, apresentada pela romancista Toni Morrison, e a Medal for Distinguished Contribution to American Letters coube ao ficcionista E. L. Doctorow.
Fonte:Jornal Público
A cerimónia de entrega deste prémio promovido pelos livreiros americanos decorreu esta quarta-feira em Nova Iorque, e quando McBride foi chamado ao palco, explicou que escrevera o livro no meio de uma série de tragédias pessoais, das mortes da sua mãe e de uma sobrinha ao fim do seu casamento.
O autor acrescentou que escrever o romance o ajudara, porque “era bom ter ali alguém em cujo mundo pudesse mergulhar”. Narrado por um escravo em fuga, The Good Lord Bird conta a história de John Brown, um americano branco que se tornou um pioneiro da luta contra a escravatura na primeira metade do século XIX.
Filho de um reverendo negro e de uma judia convertida ao cristianismo, McBride, que é também saxofonista e compositor, tornou-se conhecido como escritor em 1996, quando publicou The Color of Water, um relato da sua infância e adolescência.
Entre os quatro finalistas que perderam para McBride contava-se Thomas Pynchon, com Bleeding Edge. Célebre pela sua relutância em aparecer publicamente, Pynchon não compareceu à sessão, que, como habitualmente, decorreu num restaurante nova-iorquino escolhido pelo júri.
Os outros candidatos – Rachel Kushner, Jhumpa Lahiri e George Saunders –, não sendo tão famosos como Pynchon, tinham todos visto os seus livros receber boas críticas de imprensa.
Na categoria de não-ficção, o National Book Award foi para The Unwinding: An Inner History of the New Americ, de George Packer, uma obra que, segundo o júri, relata “o declínio económico que atravessa grandes cidades e pequenas povoações, lançando um olhar incisivo aos bancos e a Wall Street”.Nas restantes categorias – poesia e literatura para crianças – os vencedores foram, respectivamente, Incarnadine, de Mary Szybist, e The Thing About Luck, de Cynthia Kadohata.
Os vencedores receberam todos 10 mil dólares (cerca de 7400 euros) e uma estatueta de bronze.
A noite terminou com a entrega de dois prémios de carreira. O Literarian Award for Outstanding Service to the American Literary Community foi atribuído à escritora Maya Angelou, apresentada pela romancista Toni Morrison, e a Medal for Distinguished Contribution to American Letters coube ao ficcionista E. L. Doctorow.
Fonte:Jornal Público
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Giller Prize - Lynn Coady
Lynn Coady foi nomeada a vencedora do Scotiabank Giller Prize 2013 pelo seu livro de contos Hellgoing, publicado pela House of Anansi Press. O anúncio foi feito num jantar black-tie e a cerimónia de premiação organizada pela Jian Ghomeshi, que contou com cerca de 500 membros das editoras, media e comunidades de artes. A gala foi para o ar na televisão CBC.
Este ano, o prémio celebra o seu vigésimo aniversário.
A lista de nomeados e o livro vencedor foram escolhidos pelos 3 menbros do juri de 2013: as autoras canadianas Margaret Atwood e Esi Edugyan e autor americano Jonathan Lethem.
Lynn Coady é a autora do best-seller The Antagonist (finalista de uma edição anterior do Giller Prize), dos romances Mean Boy, Saints of Big Harbour, e Strange Heaven e da coletânea de contos Play the Monster Blind. Foi também nomeada para o Governor General’s Literary Award e para a Stephen Leacock Medal for Humour. Por quatro vezes foi selecionada para a lista anual "Top 100 Books" do The Globe and Mail’s. Natural de Cape Breton, a autora vive atualmente em Edmonton, Alberta, onde é fundadora e editora sénior da revista Eighteen Bridges.

O Giller Prize tem como finalidade destacar o melhor da ficção canadiana de cada ano. O prémio é de 50.000 dólares para o autor canadiano do melhor romance ou coletânea de contos publicados em Inglês, e de 5.000 dólares para cada um dos finalistas. O prémio tem o nome em homenagem à jornalista literária Doris Giller e foi fundado em 1994 pelo seu marido, o empresário Jack Rabinovitch.
Fonte: Scotiabank Giller Prize
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Prémio Literário José Saramago - Ondjaki
O escritor angolano Ondjaki venceu o “Prémio Literário José Saramago 2013” com o romance “Os Transparentes”.
Esta obra, que tem como pano de fundo a cidade de Luanda nos dias de hoje, apresenta "uma história que é um prodígio da imaginação e um retrato social de uma riqueza surpreendente".
Natural de Luanda, Ondjaki é formado em Sociologia e doutorado em Estudos Africanos.
Este alto galardão surge, agora, depois de outras seis distinções no mundo da literatura.
Em 2000 recebeu a Menção Honrosa do Prémio António Jacinto por actu sanguíneu; em 2005, o Prémio António Paulouro pelo livro de contos E se amanhã o medo; em 2007, o Grande Prémio APE, por Os da minha rua; em 2010, o Prémio Jabuti (categoria juvenil) com AvóDezanove e o segredo do soviético. Em 2012, o Prémio Bissaya Barreto 2012; em 2013, o Prémio Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (IBBY do Brasil) e hoje o Prémio Literário José Saramago 2013 com o romance Os transparentes.
"Ao lermos Os transparentes temos a sensação de estar a ler uma literatura inaugural. Sabemos que não é assim, que Angola tem grandes escritores e que muitos fazem do português em África um idioma sólido, versátil e belo, e que também Ondjaki faz parte de uma poderosa constelação que irá, sem dúvida, iluminar noites e dias. Os transparentes surge como o primeiro dia da criação, tal é a sua força e lucidez. Este romance, mágico e misteriosa, é cruzado por uma aparente ingenuidade, talvez a única maneira de descrever o país que se ama e contar um certo estado de coisas que não se pode deixar de notar, por causa desse mesmo amor. Os transparentes é um livro de Angola, sobre esta Angola e a sua forma de estar no mundo. E é, por certo, literatura", refere Pilar del Rio, um dos elementos do júri, sobre a obra premiada.
O Prémio Literário José Saramago, criado em 1999 pela Fundação Círculo de Leitores, tem o valor de 25 mil euros e visa distinguir autores com obra publicada em português e com idade não superior a 35 anos. Paulo José Miranda, José Luís Peixoto, Adriana Lisboa, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe, João Tordo e Andréa del Fuego são os autores distinguidos com este galardão, em edições anteriores.
Fonte: Económico
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Prémio Pen Clube Português de Narrativa - João Bouza da Costa
João Bouza da Costa, com a sua obra "Travessa d' Abençoada" da Sextante Editora, venceu o Prémio Pen Clube Português de Narrativa.
O escritor nasceu em Lisboa (1954) e passou a infância em África (Luanda). Tem levado uma vida anticíclica, sempre a fugir dos acontecimentos históricos: deixou Angola quando nesta se iniciava a gesta independentista (1963), abandonou Portugal logo após a revolução de Abril (em Setembro de 1974) e escapou da Alemanha em 1989, pouco antes do grande êxtase coletivo da queda do Muro de Berlim.
Nesse aspeto, assemelha-se a um heterónimo de um heterónimo de Pessoa. Ao contrário destes, porém, tem mulher e três filhos, que o fizeram experimentar o peso e a leveza do mundo. Meteu-se, com fraco sucesso e por pura necessidade, em muitas e variadas lides: foi carteiro, limpador de vidros, vendedor de vinhos, pintor de cenários de ópera, professor de uma pretérita ortografia, tradutor e intérprete, mas terá talvez sido o acaso das novas tecnologias, com a sua facilidade para rasurar e sintetizar, que o ajudou a ultrapassar o fado dos papelinhos avulsos e a chegar-se um pouco mais à escrita e a si próprio.

O prémio PEN de poesia foi atribuído a Hélia Correia com a sua obra "A Terceira Miséria" da editora Relógio d'Água, 'ex-aequo' com "Cólofon", de Manuel de Freitas da editora Fahrenheit 451. Quanto ao Prémio de Ensaio coube a Fernando Rosas com a sua obra "Salazar e o Poder, a Arte de Saber Durar", da editora Tinta da China, 'ex-aequo' com "O Cinema na Poesia" da editora Assírio & Alvim e escrito por Rosa Maria Martelo. O prémio Primeira Obra foi arrecadado por Raquel Nobre Guerra com o livro "Groto Sato" da editora Mariposa Azul.
Os prémios literários do PEN Clube Português no valor de 5000 euros destinam-se a galardoar anualmente as melhores obras publicadas no ano anterior, em língua portuguesa e em primeira edição, nas modalidades de poesia, ensaio e narrativa. O prémio Primeira Obra de 2500 euros é destinado a galardoar anualmente uma obra de estreia de um autor.
Fontes: Diário de Noticias e Wook
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Man Booker Prize - Eleanor Catton
A escritora neozelandesa Eleanor Catton tornou-se nesta terça-feira, aos 28 anos, a distinguida mais nova com o Man Booker Prize, o galardão literário mais prestigiado do Reino Unido, com a sua novela The Luminaries.
O romance é centrado na figura do aventureiro Walter Moody e tem por pano de fundo a corrida ao ouro na Nova Zelândia em meados do século XIX.
O presidente do júri, Robert Macfarlane, descreveu o livro, de 832 páginas, o mais longo dos que já ganharam o prémio, como “deslumbrante”.
Catton tinha 25 anos quando começou a escrever o livro e 27 quando o terminou.
A duquesa da Cornualha, mulher do Príncipe Carlos, entregou à autora o prémio de 50 mil libras (60 mil euros), que é considerado a maior honra literária britânica.
Fonte: Jornal Público
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Prémio Leya - Gabriela Ruivo Trindade
Reuniu ontem e hoje o júri do Prémio Leya, a que concorreram este ano quatrocentos e noventa e um originais, oriundos da Alemanha, Angola, Brasil, Espanha, Estados Unidos da América, França, Guiné-Bissau, Itália, Luxemburgo, Macau, Moçambique, Portugal, Reino Unido e Suécia.
O júri deliberou atribuir o Prémio ao romance «Uma Outra Voz», de Gabriela Ruivo Trindade.
O júri destaca a consistência do projecto narrativo que procura, através de várias gerações, e com o foco em personagens de grande força, sobretudo femininas, retratar a transformação da sociedade e dos modelos de vida numa cidade de província, no Alentejo. Merece destaque a originalidade com que o autor combina o individual e o colectivo, bem como a inclusão da perspectiva do(s) narrador(es) no desenho cuidado de um universo de vastas implicações mas circunscrito à esfera do mundo familiar ao longo de um século de História. Também a exploração ficcional de registo diarístico e a inclusão da fotografia dão um sinal de modernidade formal a esta obra premiada por maioria do júri.
Sobre a autora
Gabriela Ruivo Trindade tem 43 anos e é natural de Lisboa mas a sua família é alentejana, de Estremoz. Vive há 9 anos em Londres e está desempregada. A sua área profissional é a Psicologia. «Uma Outra Voz» é o seu primeiro livro e será editado pela LeYa em 2014, em data a anunciar. A autora enviou o seu livro a concurso sob o pseudónimo de Ella Rui, seguindo assim o regulamento do prémio, que é avaliado em regime de “prova cega”, ou seja, sem que o júri conheça a identidade do concorrente.
Sobre o júri
O júri do Prémio Leya 2013 foi formado pelos escritores Manuel Alegre (Presidente do júri), Nuno Júdice, Pepetela e José Castello, e ainda José Carlos Seabra Pereira, Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Lourenço do Rosário, Reitor do Instituto Superior Politécnico e Universitário de Maputo, e Rita Chaves, Professora da Universidade de São Paulo. Na sessão participam, igualmente, o Presidente Executivo da LeYa, Isaías Gomes Teixeira, e o Diretor-Coordenador de Edições Gerais da LeYa, João Amaral, Secretário do Prémio LeYa.
Fonte: Leya
domingo, 13 de outubro de 2013
Prémio Nobel da Literatura - Alice Munro
Já há algum tempo que pretendia retomar os posts sobre prémios literários que iniciei e parei, e nada mais adequado para o fazer do que a atribuição do Prémio Nobel da Literatura. É desta que me decido a comprar um livro desta senhora :)
Contista canadiana, a quem chamam o Tchekov dos nossos dias, venceu o Nobel da Literatura. Japonês Haruki Murakami e bielorrussa Svetlana Alexievich terão de aguardar pela próxima oportunidade.
Nascida na província canadiana de Ontário em 1931, a escritora Alice Munro venceu nesta quinta-feira o Prémio Nobel da Literatura, atribuído pela Academia Sueca, que nela reconheceu um “mestre do conto contemporâneo”. Munro recebera já alguns dos mais importantes prémios literários, incluindo, em 2009, o prestigiado Man Booker International Prize, e era há muito uma candidata recorrente ao Nobel da Literatura.
Mas quando o secretário permanente da Academia Sueca, Peter Englund, se dirigiu aos jornalistas para anunciar o Nobel da Literatura de 2013, o nome de que se falava era o da jornalista de investigação e prosadora bielorrussa Svetlana Alexievich, que tinha acabado de ultrapassar o japonês Haruki Murakami nas cotações das casas de apostas.
Quando recebeu o Man Booker International Prize, o júri justificou a escolha afirmando que a autora, “embora seja essencialmente conhecida como contista, mostra a profundidade, sabedoria e precisão que a maior parte dos ficcionistas só consegue alcançar numa vida inteira a escrever romances”. Foi Cynthia Ozick, ela própria uma talentosa contista, que, reconhecendo a consumada mestria de Munro na história breve, lhe chamou há alguns anos o Tchekov do nosso tempo, uma aproximação que, desde então, muitos críticos têm glosado.
Tal como nos contos do mestre russo, o enredo é relativamente secundário nas histórias desta canadiana, povoadas de personagens e assuntos triviais, e cuja força está muitas vezes no súbito impacto de um momento iluminante e revelador. Quase todos os seus contos têm como cenário a região sudoeste da província canadiana de Ontário, o que tem levado a que seja comparada a outros ficcionistas cujas obras se centram na vida de pequenas cidades, como Sherwood Anderson, Flannery O'Connor ou Carson McCullers.
A notícia do Nobel chegou ao Canadá de noite, quando Munro dormia. A autora contou à televisão canadiana CBC que foi acordada pela filha: “Sabia que era uma das candidatas, mas nunca pensei que fosse ganhar.”
Munro disse ainda que ganhar o prémio é “formidável” e mostrou-se feliz por o mundo descobrir a sua escrita.
Nascida numa família de criadores de raposas, Alice Munro começou a escrever na adolescência, tendo publicado o seu primeiro conto, The Dimensions of a Shadow, em 1950, quando frequentava a universidade. Ao mesmo tempo, ia ganhando dinheiro em empregos ocasionais, trabalhando em restaurantes, na apanha de tabaco, ou como bibliotecária.
A sua primeira colectânea de histórias, Dance of the Happy Shades, saiu em 1968 e foi um sucesso imediato, tendo ganho o mais importante prémio literário canadiano e recebido o elogio unânime da crítica. O livro seguinte, Lives of Girls and Women (1971), é ainda hoje o seu único romance, e não falta quem ache que se trata, na verdade, de uma sucessão de contos articulados entre si.
Munro publicou mais de uma dúzia de colectâneas de histórias curtas, muitas delas editadas em Portugal pela editora Relógio d’Água, incluindo a mais recente, Amada Vida (Dear Life, 2012), traduzida pelo poeta José Miguel Silva.
Outros livros de Munro disponíveis em edição portuguesa são O Progresso do Amor (The Progress of Love, 1986), O Amor de Uma Boa Mulher (The Love of a Good Woman, 1998), Fugas (Runaway, 2004), A Vista de Castle Rock (The View from Castle Rock, 2006) e Demasiada Felicidade (Too Much Happiness, 2009).
Fonte: Jornal Público
Contista canadiana, a quem chamam o Tchekov dos nossos dias, venceu o Nobel da Literatura. Japonês Haruki Murakami e bielorrussa Svetlana Alexievich terão de aguardar pela próxima oportunidade.
Nascida na província canadiana de Ontário em 1931, a escritora Alice Munro venceu nesta quinta-feira o Prémio Nobel da Literatura, atribuído pela Academia Sueca, que nela reconheceu um “mestre do conto contemporâneo”. Munro recebera já alguns dos mais importantes prémios literários, incluindo, em 2009, o prestigiado Man Booker International Prize, e era há muito uma candidata recorrente ao Nobel da Literatura.
Mas quando o secretário permanente da Academia Sueca, Peter Englund, se dirigiu aos jornalistas para anunciar o Nobel da Literatura de 2013, o nome de que se falava era o da jornalista de investigação e prosadora bielorrussa Svetlana Alexievich, que tinha acabado de ultrapassar o japonês Haruki Murakami nas cotações das casas de apostas.
Quando recebeu o Man Booker International Prize, o júri justificou a escolha afirmando que a autora, “embora seja essencialmente conhecida como contista, mostra a profundidade, sabedoria e precisão que a maior parte dos ficcionistas só consegue alcançar numa vida inteira a escrever romances”. Foi Cynthia Ozick, ela própria uma talentosa contista, que, reconhecendo a consumada mestria de Munro na história breve, lhe chamou há alguns anos o Tchekov do nosso tempo, uma aproximação que, desde então, muitos críticos têm glosado.
Tal como nos contos do mestre russo, o enredo é relativamente secundário nas histórias desta canadiana, povoadas de personagens e assuntos triviais, e cuja força está muitas vezes no súbito impacto de um momento iluminante e revelador. Quase todos os seus contos têm como cenário a região sudoeste da província canadiana de Ontário, o que tem levado a que seja comparada a outros ficcionistas cujas obras se centram na vida de pequenas cidades, como Sherwood Anderson, Flannery O'Connor ou Carson McCullers.
A notícia do Nobel chegou ao Canadá de noite, quando Munro dormia. A autora contou à televisão canadiana CBC que foi acordada pela filha: “Sabia que era uma das candidatas, mas nunca pensei que fosse ganhar.”
Munro disse ainda que ganhar o prémio é “formidável” e mostrou-se feliz por o mundo descobrir a sua escrita.
Nascida numa família de criadores de raposas, Alice Munro começou a escrever na adolescência, tendo publicado o seu primeiro conto, The Dimensions of a Shadow, em 1950, quando frequentava a universidade. Ao mesmo tempo, ia ganhando dinheiro em empregos ocasionais, trabalhando em restaurantes, na apanha de tabaco, ou como bibliotecária.
A sua primeira colectânea de histórias, Dance of the Happy Shades, saiu em 1968 e foi um sucesso imediato, tendo ganho o mais importante prémio literário canadiano e recebido o elogio unânime da crítica. O livro seguinte, Lives of Girls and Women (1971), é ainda hoje o seu único romance, e não falta quem ache que se trata, na verdade, de uma sucessão de contos articulados entre si.
Munro publicou mais de uma dúzia de colectâneas de histórias curtas, muitas delas editadas em Portugal pela editora Relógio d’Água, incluindo a mais recente, Amada Vida (Dear Life, 2012), traduzida pelo poeta José Miguel Silva.
Outros livros de Munro disponíveis em edição portuguesa são O Progresso do Amor (The Progress of Love, 1986), O Amor de Uma Boa Mulher (The Love of a Good Woman, 1998), Fugas (Runaway, 2004), A Vista de Castle Rock (The View from Castle Rock, 2006) e Demasiada Felicidade (Too Much Happiness, 2009).
Fonte: Jornal Público
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Costa Book of the Year - Hilary Mantel
A escritora inglesa, que para muitos reinventou o romance histórico com o humor negro que todos lhe reconhecem, ganhou terça-feira, por unanimidade, o mais importante dos prémios da galáxia Costa, batendo os outros quatro concorrentes.
O romance que lhe valeu agora 30 mil libras (35 mil euros), o mesmo com que ganhou o seu segundo Man Booker no ano passado, é o segundo de uma trilogia que tem por pólo de atracção Thomas Cromwell, o filho de um ferreiro que ascendeu à condição de duque de Essex, tornou-se o braço direito de Henrique VIII e acabou no cadafalso.
A trilogia de Mantel, que neste segundo livro se centra, sobretudo, na figura de Ana Bolena, uma das muitas mulheres do rei de Inglaterra, e na sua família, foi já muito premiada. O livro que a abre, Wolf Hall (ed. Civilização), garantiu à autora o seu primeiro Man Booker. A sequela deu-lhe o segundo (foi a primeira mulher a receber esta distinção duas vezes), mais um Costa. O último, que vai chamar-se The Mirror & the Light e cuja publicação no Reino Unido está prometida para o próximo ano, gera, como seria de esperar, muitas expectativas.
Respondendo aos que a criticam por ganhar prémios de mais e abafar outros escritores talentosos, Mantel disse ao receber o prémio que não tenciona pedir desculpa. “Obrigada aos jurados por não terem deixado que ninguém lhes dissesse como deviam fazer o seu trabalho.” Em palco, e segundo a BBC, a escritora acrescentou ainda: "Não estou arrependida, estou feliz e farei questão de tentar escrever mais livros que mereçam mais prémios."
O júri dos prémios Costa, que anualmente distinguem livros de autores a viver no Reino Unido e na Irlanda, em cinco categorias (poesia, literatura infantil, biografia, romance e primeiro romance), precisou de uma hora para deliberar.
Aos jornalistas, a presidente do júri, Jenni Murray, revelou que chegou a ser tido em consideração que Bring Up the Bodies tinha já recebido o Man Booker, mas isso acabou por não pesar na hora de escolher o livro do ano. “Não podíamos permitir que o número de vezes que já foi premiado afectasse a nossa decisão”, disse Murray, elogiando a escrita de Mantel: “A sua prosa é tão poética, tão bela, tão inserida no tempo a que se refere que sabemos exactamente onde estamos e com quem estamos. Mas é também incrivelmente moderna. Moderna na sua análise da política. Todos sentimos que havia coisas [no romance] que tinham ficado na nossa cabeça e nas quais vamos pensar durante muito tempo.”
Na corrida ao livro do ano dos prémios Costa, Mantel deixou para trás James Meek, Stephen May e Joff Winterhart.
“Já escrevia há muitos anos e, ou não era sequer referida nos prémios, ou era uma eterna candidata”, disse Mantel, citada pelo diário britânico The Independent. “As coisas mudaram muito. Sinto que a minha sorte mudou, mas isso não é verdade. O que mudou foi aquilo em que estou a trabalhar” – a trilogia à volta de Thomas Cromwell, ministro de Henrique VIII quando o monarca decide romper relações com Roma para poder casar com Ana Bolena.
Apesar de estar já a escrever o último livro, Mantel garante que ainda não se cansou do protagonista: “Devia ter percebido que Thomas Cromwell era maior do que eu. É como se tivesse renascido com vontade de conquistar.”
Pela primeira vez na história dos prémios Costa, que começa em 1971 com os Whitbread Literary Awards, os vencedores nas cinco categorias são mulheres: o prémio para a biografia foi atribuído a um romance gráfico, Dotter of Her Father’s Eyes, escrito por Mary Talbot e com ilustrações do seu marido, Bryan; o romance de estreia distinguido pertence a Francesca Segal (The Innocents); Sally Gardner ganhou na literatura para crianças com Maggot Moon; e Kathleen Jamie na poesia com The Overhaul (cinco mil libras para cada).
Bring Up the Bodies vai ser publicado em Portugal pela Civilização esta Primavera.
Fonte: Público
sábado, 5 de janeiro de 2013
Costa Book Award - Hilary Mantel
A escritora britânica Hilary Mantel venceu o prémio literário Costa Book Award, com o romance "Bring up the bodies", num ano em que as mulheres foram distinguidas em todas as categorias, anunciou a organização.
Com aquele romance, continuação de "Wolf Hall", que será editado este ano em Portugal pela Civilização, Hilary Mantel já tinha conquistado em 2012 o Booker Prize e o National Book Award.Pela primeira vez na história dos prémios britânicos Costa, todas as cinco categorias - romance, romance de estreia, biografia, poesia e literatura para crianças - foram conquistadas por mulheres.
O prémio de melhor biografia foi atribuído pela primeira vez a uma novela gráfica, a "Dotter of her father's eyes", de Mary Talbot, com desenho do marido, o autor de BD Bryan Talbot.
"Maggot Moon", escrito e ilustrado por Sally Gardner, venceu o Costa Award de melhor livro para a infância.
A poetisa escocesa Kathleen Jamie venceu na categoria de poesia, com "The Overhaul", enquanto a autora e jornalista Francesca Segal venceu no romance de estreia com "The Innocents".
Estas cinco premiadas, que recebem individualmente cerca de seis mil euros, integram agora a lista de finalistas do prémio Costa Livro do Ano, cuja vencedora será conhecida no próximo dia 29, em Londres.
O Costa Book Award, anteriormente denominado Whitbread Book Award, foi criado em 1971 para premiar obras de autores do Reino Unido e da Irlanda.
Fonte: Díário de Noticias
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
National Book Award - Louise Erdrich
Mais um prémio que costumo seguir e no entanto não dei o devido destaque aqui no blogue na altura da atribuição a 15 de Novembro. Assim apesar de atrasado aqui fica o destaque para esta autora que apesar de ter algumas obras traduzidas em Portugal, devo confessar que nunca li...
The Round House, um romance sobre a demanda de um filho que tenta vingar a violação da mãe, uma nativa americana da tribo Ojibwe, venceu quarta-feira à noite o National Book Award de ficção. A autora, Louise Erdrich, recebeu este prémio literário dedicado a escritores norte-americanos pela primeira vez.
The Round House é o segundo tomo de uma trilogia de Erdrich, de 58 anos, uma autora conceituada e com uma carreira de mais de três décadas e que quarta-feira à noite agradeceu, feliz, como notava a Associated Press, a distinção em parte na língua da tribo Ojibwe (de que é em parte descendente), dedicando o prémio "à graciosidade e resistência dos povos nativos". "Este é um livro sobre um enorme caso de injustiça em curso nas reservas [índias]. Obrigada por lhe darem um público mais alargado", disse ainda, citada pelo New York Times

Louise Erdrich é autora de obras como Filtro de amor, A rainha da beterraba ou Pegadas, todas editadas em Portugal pela D. Quixote, mas também de Vida de sombras, editado este ano pela Clube de Autores. Competia, entre outros, na shortlist do National Book Award de ficção, com Junot Díaz (This Is How You Lose Her) ou Dave Eggers (A Hologram for the King)
O National Book Award, este ano na sua 63.ª edição, premeia apenas obras da autoria de cidadãos norte-americanos e os seus vencedores recebem 10 mil dólares (cerca de 7800 euros) e uma estatueta de bronze. A competição de 2012 incluía muitos veteranos e muitos nomes menos conhecidos do grande público.
O prémio distingue ainda obras nas categorias de não-ficção, literatura juvenil e poesia. O vencedores em 2012 foram, respectivamente, Katherine Boo com Behind the Beautiful Forevers, a história dos respigadores nos bairros de lata junto aos mais luxuosos hotéis de Bombaim, William Alexander pelo livro Goblin Secrets e Bewilderment, poemas de David Perry.
Fonte: Jornal Público
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Prémio Leya - Nuno Camarneiro
À quinta edição o Prémio Leya (100 mil euros) vai pela segunda vez para um autor português: Nuno Camarneiro, de 35 anos, vence com Debaixo de Algum Céu . Um romance que é uma "exploração da ideia de purgatório" segundo o seu autor.
Camarneiro tinha já uma obra publicada na Leya, intitulada No Meu Peito não Cabem Pássaros. A obra vencedora deverá ser publicada em Março e foi escolhida “por maioria” por um júri presidido por Manuel Alegre.
O júri "apreciou no romance Debaixo de Algum Céu a qualidade literária com que, delimitando intensivamente a figura fulcral do 'romance de espaço' e do 'romance urbano', faz de um prédio de apartamentos à beira-mar o tecido conjuntivo da vida quotidiana de várias personagens - saídas da gente comum da nossa actualidade, mas também por isso carregadas de potencial significativo".
O romance, continua o júri, que é um "retrato de uma microssociedade unida pelo espaço em que vivem os personagens", organiza-se a partir de um conjunto de vozes que dão conta de vidas e destinos que o acaso cruzou num período de tempo delimitado entre um Natal e um Fim do Ano".
Manuel Alegre telefonou ao vencedor esta manhã. "Estou num estado de euforia: o meu objectivo para hoje é tentar não ter um ataque cardíaco", disse ao PÚBLICO Nuno Camarneiro, que concorreu ao prémio com aquele que é o seu segundo romance, mas não o escreveu a pensar no prémio. "Só decidi concorrer ao prémio depois de o ter escrito", confessou o autor.
Este livro é, para Nuno Camarneiro, "uma exploração da ideia de purgatório": "Quase todo passado dentro de um prédio e em oito dias, entre o Natal e o Ano Novo, e cada inquilino atravessa durante esse período o seu purgatório pessoal", explica.
O prémio, no valor de 100 mil euros, é dado pela Leya, um dos maiores grupos editoriais portugueses que reúne mais de uma dezenas de editoras e chancelas de Portugal, Angola, Moçambique e Brasil. O objectivo do prémio é distinguir um romance inédito escrito em português.
Além de escritor, Camarneiro, que nasceu na Figueira da Foz, é investigador e professor. Foi membro do GEFAC (Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra) e do grupo musical Diabo a Sete, tendo ainda integrado a companhia teatral Bonifrates. Trabalhou no CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear) em Genebra e concluiu o doutoramento em Ciência Aplicada ao Património Cultural em Florença.
Em 2010 regressou a Portugal, sendo actualmente investigador na Universidade de Aveiro e professor do curso de Restauro na Universidade Portucalense do Porto. Começou por se dedicar à micronarrativa, tendo alguns dos seus contos sido publicados em colectâneas e revistas. No Meu Peito não Cabem Pássaros foi a sua estreia no romance. O júri diz ainda que a escrita "é precisa e flui sem ceder à facilidade, mas reflectindo a consciência de um jogo entre o desejo de chegar ao seu destinatário, o leitor, e um recurso mínimo a artifícios retóricos em que só uma sensibilidade poética eleva e salva a banalidade e os limites do quotidiano".
O último prémio foi atribuído à primeira obra de João Ricardo Pedro, autor do romance O Teu Rosto Será o Último, um engenheiro electrónico, de 38 anos, que estava desempregado. Segundo anunciado na conferência de imprensa desta segunda-feira de manhã, por Isaías Gomes, presidente executivo da Leya, foi o segundo livro mais vendido de 2012 em Portugal.
O prémio, de 100 mil euros e que é o maior em valor pecuniário no domínio da literatura de expressão portuguesa, foi criado em 2008 e nas duas primeiras edições foi conquistado pelo brasileiro Murilo Carvalho e pelo moçambicano João Paulo Borges Coelho. Na terceira edição não foi atribuído.
Enquanto analisa os inéditos, o júri não sabe por quem foram escritos, se são homens ou mulheres, se são iniciados ou consagrados. Só depois de a obra estar escolhida é que se abrem os envelopes com a identidade de quem concorreu. O júri do Prémio LeYa 2012, presidido por Manuel Alegre, é ainda constituído pelos escritores Nuno Júdice, Pepetela e José Castello, por José Carlos Seabra Pereira, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Lourenço do Rosário, reitor do Instituto Superior Politécnico e Universitário de Maputo, e Rita Chaves, crítica literária e professora da Universidade de São Paulo.
Fonte: Jornal Público
Camarneiro tinha já uma obra publicada na Leya, intitulada No Meu Peito não Cabem Pássaros. A obra vencedora deverá ser publicada em Março e foi escolhida “por maioria” por um júri presidido por Manuel Alegre.
O júri "apreciou no romance Debaixo de Algum Céu a qualidade literária com que, delimitando intensivamente a figura fulcral do 'romance de espaço' e do 'romance urbano', faz de um prédio de apartamentos à beira-mar o tecido conjuntivo da vida quotidiana de várias personagens - saídas da gente comum da nossa actualidade, mas também por isso carregadas de potencial significativo".
O romance, continua o júri, que é um "retrato de uma microssociedade unida pelo espaço em que vivem os personagens", organiza-se a partir de um conjunto de vozes que dão conta de vidas e destinos que o acaso cruzou num período de tempo delimitado entre um Natal e um Fim do Ano".
Manuel Alegre telefonou ao vencedor esta manhã. "Estou num estado de euforia: o meu objectivo para hoje é tentar não ter um ataque cardíaco", disse ao PÚBLICO Nuno Camarneiro, que concorreu ao prémio com aquele que é o seu segundo romance, mas não o escreveu a pensar no prémio. "Só decidi concorrer ao prémio depois de o ter escrito", confessou o autor.
Este livro é, para Nuno Camarneiro, "uma exploração da ideia de purgatório": "Quase todo passado dentro de um prédio e em oito dias, entre o Natal e o Ano Novo, e cada inquilino atravessa durante esse período o seu purgatório pessoal", explica.
O prémio, no valor de 100 mil euros, é dado pela Leya, um dos maiores grupos editoriais portugueses que reúne mais de uma dezenas de editoras e chancelas de Portugal, Angola, Moçambique e Brasil. O objectivo do prémio é distinguir um romance inédito escrito em português.
Além de escritor, Camarneiro, que nasceu na Figueira da Foz, é investigador e professor. Foi membro do GEFAC (Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra) e do grupo musical Diabo a Sete, tendo ainda integrado a companhia teatral Bonifrates. Trabalhou no CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear) em Genebra e concluiu o doutoramento em Ciência Aplicada ao Património Cultural em Florença.
Em 2010 regressou a Portugal, sendo actualmente investigador na Universidade de Aveiro e professor do curso de Restauro na Universidade Portucalense do Porto. Começou por se dedicar à micronarrativa, tendo alguns dos seus contos sido publicados em colectâneas e revistas. No Meu Peito não Cabem Pássaros foi a sua estreia no romance. O júri diz ainda que a escrita "é precisa e flui sem ceder à facilidade, mas reflectindo a consciência de um jogo entre o desejo de chegar ao seu destinatário, o leitor, e um recurso mínimo a artifícios retóricos em que só uma sensibilidade poética eleva e salva a banalidade e os limites do quotidiano".
O último prémio foi atribuído à primeira obra de João Ricardo Pedro, autor do romance O Teu Rosto Será o Último, um engenheiro electrónico, de 38 anos, que estava desempregado. Segundo anunciado na conferência de imprensa desta segunda-feira de manhã, por Isaías Gomes, presidente executivo da Leya, foi o segundo livro mais vendido de 2012 em Portugal.
O prémio, de 100 mil euros e que é o maior em valor pecuniário no domínio da literatura de expressão portuguesa, foi criado em 2008 e nas duas primeiras edições foi conquistado pelo brasileiro Murilo Carvalho e pelo moçambicano João Paulo Borges Coelho. Na terceira edição não foi atribuído.
Enquanto analisa os inéditos, o júri não sabe por quem foram escritos, se são homens ou mulheres, se são iniciados ou consagrados. Só depois de a obra estar escolhida é que se abrem os envelopes com a identidade de quem concorreu. O júri do Prémio LeYa 2012, presidido por Manuel Alegre, é ainda constituído pelos escritores Nuno Júdice, Pepetela e José Castello, por José Carlos Seabra Pereira, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Lourenço do Rosário, reitor do Instituto Superior Politécnico e Universitário de Maputo, e Rita Chaves, crítica literária e professora da Universidade de São Paulo.
Fonte: Jornal Público
Prémio Pen Clube Português de Narrativa - Rita Ferro
Quero dedicar mais algum espaço neste blogue aos diversos prémios literários atribuídos em Portugal e no resto do planeta, pelo aqui deixo mais um que embora já tenha sido atribuído há quase 2 meses penso que ainda faça sentido mencionar.
Foi com surpresa e “imensa alegria” que Rita Ferro recebeu a notícia de que o seu livro A Menina é filha de quem? venceu o Prémio Pen Clube Português de Narrativa para livros publicados em 2011. Maria Filomena Molder venceu na categoria Ensaio, Fernando Guimarães na Poesia e Pedro Vieira na Primeira Obra de romance.
Num breve contacto com o PÚBLICO, Rita Ferro disse que esta distinção foi uma grande surpresa, sobretudo sabendo que entre os cinco finalistas do Prémio de Narrativa estavam As Luzes de Leonor de Maria Teresa Horta, A Rocha Branca de Fernando Campos, O Romance do Gramático de Ernesto Rodrigues, e Tempos de Esperança de Pedro Beltrão.
“Não me passou pela cabeça. Digo-o com toda a humildade”, confessou a escritora. “Fiquei muito feliz por estas pessoas do júri reconhecerem este livro como um livro sério. Foi a primeira vez que escrevi um romance sobre a minha vida.”

Rita Ferro, 57 anos, é filha do escritor António Quadros e neta de António Ferro, jornalista, político e director do Secretariado Nacional da Propaganda de Salazar. A sua mãe Paulina Roquette Ferro é personagem central do livro premiado.
Autora de mais de 20 livros, Rita Ferro, que publica com a D. Quixote, diz que este livro se distingue dos outros por isso mesmo. “É matéria-prima da minha vida. Não é ficção. Há uma outra intensidade, outra verdade e outro entusiasmo.”
A decisão do PEN Narrativa foi tomada por unanimidade pelo júri composto para esta categoria por Helena Barbas, Artur Anselmo e Fernando Dacosta. E que considerou que, com esta obra, Rita Ferro se debruça "corajosamente sobre uma época e uma geração malditas que contribuíram inevitavelmente para a matriz da nossa identidade". Cada categoria teve um júri próprio.
Fernando Guimarães venceu na Poesia com As raízes diferentes editado pela Relógio d'Água, Maria Filomena Molder no Ensaio com O Químico e o Alquimista, Benjamin e Leitor de Baudelaire publicados também pela Relógio d'Água . E Pedro Vieira foi o escritor distinguido na Primeira Obra com Última Paragem em Massamá editado pela Quetzal. Com excepção do prémio para primeira obra, cujo valor pecuniário é de 2500 euros, os outros prémios são de cinco mil euros.
Na Narrativa, a distinção dá alento a Rita Ferro para o próximo livro em vários volumes e no qual já começou a trabalhar – um romance sobre o avô, António Ferro, de quem diz haver “um lado oculto, desconhecido, até ao momento das entrevistas a Salazar” na década de 1930. “Este prémio deu-me uma grande força para mexer em matérias familiares com outro estímulo e outra segurança.”
Fonte: Jornal Público
Foi com surpresa e “imensa alegria” que Rita Ferro recebeu a notícia de que o seu livro A Menina é filha de quem? venceu o Prémio Pen Clube Português de Narrativa para livros publicados em 2011. Maria Filomena Molder venceu na categoria Ensaio, Fernando Guimarães na Poesia e Pedro Vieira na Primeira Obra de romance.
Num breve contacto com o PÚBLICO, Rita Ferro disse que esta distinção foi uma grande surpresa, sobretudo sabendo que entre os cinco finalistas do Prémio de Narrativa estavam As Luzes de Leonor de Maria Teresa Horta, A Rocha Branca de Fernando Campos, O Romance do Gramático de Ernesto Rodrigues, e Tempos de Esperança de Pedro Beltrão.
“Não me passou pela cabeça. Digo-o com toda a humildade”, confessou a escritora. “Fiquei muito feliz por estas pessoas do júri reconhecerem este livro como um livro sério. Foi a primeira vez que escrevi um romance sobre a minha vida.”

Rita Ferro, 57 anos, é filha do escritor António Quadros e neta de António Ferro, jornalista, político e director do Secretariado Nacional da Propaganda de Salazar. A sua mãe Paulina Roquette Ferro é personagem central do livro premiado.
Autora de mais de 20 livros, Rita Ferro, que publica com a D. Quixote, diz que este livro se distingue dos outros por isso mesmo. “É matéria-prima da minha vida. Não é ficção. Há uma outra intensidade, outra verdade e outro entusiasmo.”
A decisão do PEN Narrativa foi tomada por unanimidade pelo júri composto para esta categoria por Helena Barbas, Artur Anselmo e Fernando Dacosta. E que considerou que, com esta obra, Rita Ferro se debruça "corajosamente sobre uma época e uma geração malditas que contribuíram inevitavelmente para a matriz da nossa identidade". Cada categoria teve um júri próprio.
Fernando Guimarães venceu na Poesia com As raízes diferentes editado pela Relógio d'Água, Maria Filomena Molder no Ensaio com O Químico e o Alquimista, Benjamin e Leitor de Baudelaire publicados também pela Relógio d'Água . E Pedro Vieira foi o escritor distinguido na Primeira Obra com Última Paragem em Massamá editado pela Quetzal. Com excepção do prémio para primeira obra, cujo valor pecuniário é de 2500 euros, os outros prémios são de cinco mil euros.
Na Narrativa, a distinção dá alento a Rita Ferro para o próximo livro em vários volumes e no qual já começou a trabalhar – um romance sobre o avô, António Ferro, de quem diz haver “um lado oculto, desconhecido, até ao momento das entrevistas a Salazar” na década de 1930. “Este prémio deu-me uma grande força para mexer em matérias familiares com outro estímulo e outra segurança.”
Fonte: Jornal Público
sábado, 20 de outubro de 2012
Man Booker Prize - Hilary Mantel
A escritora britânica Hilary Mantel recebeu hoje o Man Booker Prize, com Bring Up the Bodies, o segundo tomo de uma ambiciosa trilogia sobre o chanceler de Henry VIII, Thomas Cromwel. A atribuição do galardão, que se destina a premiar uma obra publicada originalmente em língua inglesa por autores do Reino Unido e da Commonwealth, fez história. O primeiro volume, Wolf Hall, tinha recebido precisamente o Booker há três anos.
Mantel é a primeira mulher e o primeiro autor britânico a receber o prémio duas vezes e é também a primeira vez que uma sequela é premiada. O Man Booker prize tem um valor pecuniário de cerca de 60 mil euros.
Peter Stothard, editor do Times Literary Suplement, e presidente do maior prémio literário em língua inglesa, disse que Mantel é «o maior escritor inglês de prosa vivo». Stothard acrescentou que um dos objectivos do Booker é celebrar obras que perduram no tempo. «Este prémio deve ser para livros que serão lidos nas próximas década». Sothard comparou o fôlego literário e a profundidade psicológica de Bring Up the Bodies com a obra de Francis Ford Coppola, O Padrinho.
Bring Up the Bodies situa a acção nos nove meses em 1535 que antecedem execução de Ana Bolena, segunda mulher de Henrique VIII. E a autora está já a escrever o último volume da trilogia sobre o chanceler que conduziu no reinado de Henrique VIII os destinos de Inglaterra e cuja influência mudou para sempre os destinos de Inglaterra e levou à cisão com a Igreja de Roma. O último volume deverá chamar-se The Mirror and the Light.
A BBC comprou os direitos das duas obras para uma mini-série de seis horas prevista para 2013.
Wolf Hall foi editado em Portugal pela Civilização e os direitos de Bring up the Bodies já foram adquiridos pela mesma editora que conta publicar o romance brevemente.
Fonte: Jornal Sol
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