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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Resultado do Passatempo Blogue / Especial Aniversário - Fúria de Salman Rushdie



Vamos começar a distribuir os prémios dos passatempos :)

O primeiro vencedor já está apurado e irá receber o livro Fúria de Salman Rushdie.


As respostas corretas para este passatempo eram:

Nova Iorque
O derrube das torres do World Trade Center
Grimus






O passatempo contou com a participação de 115 leitores, foram  registadas 9 respostas incorretas, 2 participações duplicadas e 2 com dados incompletos que foram eliminadas, pelo que restaram 102.

Destas 102 participações válidas,  94 disseram ser seguidores do blogue, no entanto uma não nick de seguidor pelo que apenas 93 foram duplicadas.

Após as duplicações fiquei com um total de 195 participações e procedi ao sorteio. Mais uma vez logo à primeira tentativa consegui uma participação válida, excelente :)

O nº apurado foi:



A vencedora é a Bárbara Castro de Vila Nova de Gaia a quem já enviei um mail  para confirmação.

Resta-me dar os parabéns à vencedora e quanto aos restantes ainda faltam apurar vários passatempos de aniversário, e está mais um a decorrer  ... boa sorte :)


domingo, 1 de junho de 2014

Passatempo Blogue / Especial Aniversário - Fúria de Salman Rushdie


Como prometido deixo-vos o 1º passatempo de aniversário, este patrocinada pelo blogue. O primeiro livro que vamos oferecer é Fúria de Salman Rushdie.

Sinopse: "O futuro era um casino e toda a gente jogava, e toda a gente esperava ganhar.", diz-se a determinada altura em "Fúria", o novo romance de Salman Rushdie. Mas num casino perde-se mais do que se ganha. E é o que aqui acontece, neste romance que prenuncia o declínio e queda de uma civilização que, as passos largos, caminha para o abismo. Uma civilização desumanizada, onde as pessoas parecem brinquedos ou autómatos. Onde os brinquedos propriamente ditos ganham autonomia através da publicidade e da fama, como acontece com as bonecas de Malik Solanka, personagem principal do romance, um indiano que troca Londres por Nova Iorque e se torna famoso, ele e as suas bonecas, pela televisão. Bonecas sobre as quais ele próprio perderá o controle. A criatura escapa ao criador.

Ao ser lançado pouco antes dos trágicos acontecimentos do 11 de Setembro, "Fúria" tomou uma nova dimensão com eles. "É o último romance do séc. XX. O próprio Rushdie diz que o século XXI começou com o derrube das torres do World Trade Center. 'Fúria' é a história da capital do império a 10 de Setembro de 2001, um dia antes de o mundo acabar." (Carlos Vaz Marques, Ler, nº 54)

"A 'Fúria', de Salman Rushdie, é, portanto, a da grande metrópole que todos nós pisamos. Mas ele não é nada brando na descrição que faz desta América em crescimento económico exponencial, seguríssima de si, desta 'América-Centro Comercial de orçamento equilibrado, défice baixo e acções no bolso'."
(Sara Belo-Luís, Visão)

"É como se a fábula de Pinóquio ganhasse um tom negro, ameaçador, apocalíptico. A criatura revolta-se contra o criador. As bonecas de Malik Solanka conspiram para o destruir. No novo romance de Salman Rushdie, o primeiro desde que se mudou para Nova Iorque, há um ambiente de ameaça permanente."
(Carlos Vaz Marques, Ler, nº 54)


Para participarem basta cumprirem as regras e responderem ao formulário abaixo até ao dia 21/06.

As perguntas são simples e as respostas podem ser encontradas na sinopse e fazendo uma pesquisa no Google.

Regras

1. Serão consideradas válidas todas as participações com respostas corretas registadas até às 23h59m do dia 21 de Junho de 2014.
2. Só são aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.
3. Apenas será aceite uma participação por pessoa/email/morada.
4. Participações repetidas, com respostas incorretas ou dados incompletos serão anuladas.
5. Participações de seguidores do blogue (Blogger, Google+, Facebook ou NetworkBlogs) serão duplicadas.
6. O vencedor será escolhido aleatoriamente através do Random.org, contactado por email e anunciado no blogue.
7. O envio do prémio será realizado pelo blogue em correio editorial.
8. O blogue não se responsabiliza pelo eventual extravio de livros.
9. O vencedor dispõe de 7 dias para responder ao mail enviado, caso contrário será feito novo sorteio para apurar outro vencedor.

Boa sorte :)



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Conexão - Os Versículos Satânicos - Salman Rushdie E Os Versículos Satânicos


Retomando a rubrica iniciada com o livro Romeu e Julieta, deixo-vos agora a conexão para o livro Os Versículos Satânicos. Não existindo uma adaptação ao cinema, resolvi optar por documentário do canal Odisseia de que gostei imenso. Na verdade devia ter optado por tê-lo visto antes ou durante a leitura do livro.

Gostei particularmente deste documentário por dar uma boa visão da dimensão da polémica gerada em torno deste livro, mas também por entrevistar e expor opiniões de várias individualidades envolvidas no caso, com visões bem opostas.

Deixo-vos o vídeo, com um único comentário: Como foi possível??


Título: Salman Rushdie E Os Versículos Satânicos
Título original: The Satanic Verses Affair
Ano: 2010
Emissora: Odisseia



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Opinião – Os Versículos Satânicos

Salman Rushdie


Titulo: Os Versículos Satânicos
Autor: Salman Rushdie

Titulo Original: The Satanic Verses
Ano de Publicação Original: 1988

Editora: Círculo de Leitores
Ano: 1989
Tradução: Ana Luisa Faria e Miguel Serras Pereira
Páginas: 493
ISBN: 9722007467

Sinopse: Antes de nascer o dia, numa manhã de Inverno, um avião Jumbo é assaltado e explode por cima do canal da Mancha. No meio de escombros, por entre carros de bebidas, cobertores e máscaras de oxigénio, duas figuras caem na direcção do mar sem auxílio de pára-quedas: Gibreel Farishta, o lendário actor de cinema indiano, e Saladin Chamcha, o homem das mil vozes e anglófilo convicto. Agarrados um ao outro, cantando canções rivais, acabam por ser arrastados para a costa, e chegam vivos a uma praia inglesa de areias cobertas pela neve. Um milagre, mas ambíguo, porque em breve se nota neles sinais de curiosas transformações. Gibreel parece ter adquirido um halo, enquanto a Saladin crescem-lhe pêlos nas pernas, os seus pés transformam-se em cascos e nas suas têmporas começam a aparecer duas saliências.

Assim se inicia os Versículos Satânicos (1988), de Salman Rushdie.

Gibreel e Saladin foram escolhidos (por quem?) como protagonistas da eterna luta entre o Bem e o Mal. Mas quem é quem? Poderão os demónios ser angelicais? Poderão os anjos ser demónios disfarçados? Neste livro fascinante onde o passado e o presente se perseguem furiosamente, Salman Rushdie conduz-nos através de uma jornada épica, de uma jornada de lágrimas e riso, de histórias maravilhosas em voos delirantes de imaginação, a uma viagem para o bem e para o mal que permanecem indissociados nos corações dos homens e das mulheres.

Opinião: Recentemente no seguimento de um post que coloquei aqui no blogue com uma sugestão de leitura do livro Joseph Anton de Salmon Rushdie, recordei toda a polémica e sentenças de morte geradas pela publicação deste livro, assim como o facto de o ter adquirido na altura e o mesmo ter acabado esquecido algures numa prateleira. Resolvi pegar-lhe agora.

Pessoalmente, acredito que existe a altura certa para ler um livro, e no caso deste embora não tenha a certeza que essa altura foi agora, posso seguramente afirmar que não o teria sido na altura em que o adquiri. Tenho hoje consciência que a minha juventude e relativa imaturidade na época não me teriam permitido apreciar este livro, provavelmente nem teria acabado de o ler.

Este não é um livro particularmente difícil de ler, até porque a escrita do autor é relativamente acessível, mas pelo menos para mim foi um livro de leitura lenta. Não foi fácil entrar na história, familiarizar-me com as personagens, apanhar o duplo sentido ou as criticas implícitas em algumas partes. Sei que grande parte disso se deve aos meus fracos conhecimentos da religião muçulmana, falha que no decorrer da leitura fui tentando atenuar recorrendo para isso a pesquisas na Internet  mas sem resultados muito significativos. Como podem calcular, não se conhece uma religião em tão pouco tempo. Se juntarmos a isto as cerca de 500 páginas do livro, que na realidade equivalem a mais umas quantas pela forma como está escrito, percebem por certo que esta não é uma leitura rápida, pelo contrário, é uma leitura que exige alguma disponibilidade e memória para imensas personagens largadas e retomadas ao longo da narrativa.

Tenho consciência de que uma boa parte das críticas religiosas que tanto ofenderam os muçulmanos na época devem ter-me passado ao lado, simplesmente porque não tenho os conhecimentos religiosos necessários para as identificar. De qualquer forma, mesmo não tendo eu qualquer religião, este é um tema que opto por não comentar, principalmente porque sinto que não tenho conhecimentos para tal.

O enredo do livro é no fundo um conjunto de várias histórias com inúmeras personagens, que se interligam e por vezes se cruzam, rodando todas elas essencialmente à volta dos personagens principais, Saladin e Gibreel. Estes são, como indicado na sinopse, dois indianos, com personalidades muito diferentes, que sobrevivem à explosão e queda de um avião sequestrado por terroristas. O extraordinário da situação não fica por aqui, uma vez que um deles vai-se transformando em anjo e o outro em demónio. A questão principal, que é colocada ao longo de todo o livro, é se será Saladin realmente a encarnação do mal e Gibreel a encarnação do bem? Ou apenas seres humanos com os seus defeitos e qualidades, nem totalmente maus nem completamente bons, apenas reagindo à sua maneira às circunstancias com que se deparam? Juntamente com esta questão, muitos mais temas são debatidos neste livro como a já mencionada religião, o racismo, as nossas raízes, o perdão, etc..

Gostei muito desta visão da Índia e dos indianos dada por um autor indiano de nascimento, embora o facto de este não se dirigir a não conhecedores desta cultura e religião, e as poucas notas do tradutor sobre os temas menos comuns, não nos facilitem muito a leitura.

Um dos fatores que mais peso tem na minha avaliação de um livro é o final, a capacidade do autor em nos presentear com um final credível e preferencialmente pouco previsível. Não pensem com isto que só gosto de finais felizes, não é o caso, gosto é de finais à altura. Quantos de vocês não leram já livros que até estavam a gostar mas o final estragou tudo?

No caso deste livro o ultimo capítulo é excelente, brinda-nos com uma descrição dura e sem “paninhos quentes” da doença e da morte, que no entanto ao mesmo tempo que nos repugna, consegue também tocar-nos fundo, criar uma empatia imediata. O destino final dos personagens é também excelente (reparem que disse excelente, não feliz) e na minha opinião cumpre todos os requisitos que mencionei, encerrando muito bem a história. Em resumo gostei bastante desta leitura.

Termino deixando-vos dois excertos do livro com duas questões muito interessantes, sendo que uma delas é colocada a várias personagens ao longo do livro.

"Toda a ideia nova, Mahound, deve responder a duas perguntas. A primeira é-lhe feita enquanto ela é fraca: Que tipo de ideia és? És dessas ideias que aceitam compromissos, fazem acordos, se acomodam à sociedade, procuram encontrar um nicho, sobreviver; ou és dessas outras, dessas ideias malditas, teimosas, inflexíveis, que preferem parvamente deixar-se quebrar, a oscilar ao sabor da brisa? - Esse tipo de ideia que quase fatalmente, noventa e nove vezes em cada cem, acaba destruída  aniquilada; mas da centésima vez transforma o mundo.
«Qual é a segunda pergunta?» perguntou Gibreel, em voz alta.
Responde primeiro à primeira, " (pág. 310)

"Já sabemos qual foi a resposta. E agora Mahound, que voltas a Jahilia, é tempo de fazer a segunda pergunta: Como é que te comportas quando vences? Quando tens os inimigos à tua mercê e o teu poder é absoluto: o que fazes então?" (pág. 340)


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sugestão de Leitura - Joseph Anton - Uma Memória de Salman Rushdie


A minha escolha para esta semana é:

Salman Rushdie

Titulo: Joseph Anton - Uma Memória
Autor: Salman Rushdie
Editora: Dom Quixote
Lançamento: Setembro de 2012
Páginas: 736
ISBN: 9789722050890

Sinopse: No dia 14 de Fevereiro de 1989, Dia dos Namorados, Salman recebeu um telefonema de uma jornalista da BBC a dizer-lhe que fora «condenado à morte» pelo aiatola Khomeini. Era a primeira vez que ouvia a palavra fatwa. O seu crime? Ter escrito um romance intitulado Os Versículos Satânicos, que era acusado de ser «contra o Islão, o Profeta e o Alcorão».

Assim começa a extraordinária história de um escritor obrigado a passar à clandestinidade, mudando de casa para casa, com a presença constante de uma equipa de proteção policial armada. Pediram-lhe que escolhesse um pseudónimo pelo qual a polícia pudesse tratá-lo. Ele pensou nos escritores de que mais gostava e em combinações dos seus nomes; ocorreram-lhe então Conrad e Tchékhov - Joseph Anton.

Como vivem um escritor e a sua família com a ameaça de assassínio durante mais de nove anos? Como continua ele a trabalhar? Como se apaixona e desapaixona? Como é que o desespero molda os seus pensamentos e acções, como e porquê tropeça, como aprende a ripostar?
Nestas notáveis memórias, Rushdie narra pela primeira vez essa história: a história de uma das batalhas cruciais do nosso tempo pela liberdade de expressão. Fala das realidades, umas vezes sinistras, outras cómicas, da coabitação com polícias armados e dos estreitos laços que se forjaram com os seus protetores; da sua luta para obter o apoio e a compreensão de governos, chefes de serviços de informações, editores, jornalistas e colegas escritores; e de como recuperou a liberdade.

Este é um livro de excecional franqueza e honestidade, empolgante, provocatório, comovente e de vital importância. Porque aquilo que aconteceu a Salman Rushdie foi o primeiro ato de um drama que continua a desenrolar-se todos os dias algures no mundo.

Criticas:

Los Angeles Times: « Rushdie’s ideas—about society, about culture, about politics—are embedded in his stories and in the interlocking momentum with which he tells them. . . . All of Rushdie’s synthesizing energy, the way he brings together ancient myth and old story, contemporary incident and archetypal emotion, transfigures reason into a waking dream..»
Time: “Everywhere [Rushdie] takes us there is both love and war, in strange and terrifying combinations, painted in swaying, swirling, world-eating prose that annihilates the borders between East and West, love and hate, private lives and the history they make."
The New York Times: “Swift in Gulliver’s Travels, Voltaire in Candide, Sterne in Tristram Shandy . . . Salman Rushdie, it seems to me, is very much a latter-day member of their company "
Nadine Gordimer: “The most original imagination writing today.”


Motivo da Escolha: Em 1989 já tinha idade suficiente para que hoje me recorde deste incidente que correu os jornais e deixou meio mundo apreensivo e com grande curiosidade em ler um livro que “condenou” o seu escritor à morte. Também eu comprei “Os Versículos Satânicos” pouco depois embora a minha relativa imaturidade literária tenha feito com que após uma ou duas tentativas pouco convictas o livro tenha ficado arrumado numa prateleira escondida até hoje.
Hoje no entanto tenho bastante curiosidade em saber o que foi a vida deste escritor nos anos seguintes pelo que acho este livro deve ser muito interessante e o recomendo esta semana.

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